segunda-feira, 18 de novembro de 2019
COISAS A PONDERAR E A REVISITAR Todos os meus conterrâneos agadonenses que me conhecem, sabem bem o quanto amo a minha terra serrana de Agadão, no seu todo, e em particular minha pequena Vilamendo. Felizmente tive o grato prazer de uma mostra de amizade e agradecimento prestado a este filho da Terra em 2002, na Várzea à beira do rio que eu tanto gosto e à sombra amiga das árvores, num belo e aprazível recanto, junto a pessoas amigas e algumas até que nem conhecia mas, que fizeram questão de ali estar. Garanto que tal ato de carinho ficou gravado indelevelmente em meu coração para sempre. Hoje nove de julho ante o ecrã da RTP Internacional no programa da escolha das 7 Maravilhas Aldeias Ribeirinhas, veio-me ao pensamento o quanto era linda a minha terra, freguesia que agrupa várias aldeias cada qual a mais bonita embora simples e até algumas pobrezinhas, cada qual com suas peculiaridades, mas todas carregadas de uma ruralidade profunda e, de um telúrico imenso. Hoje vive-se melhor e, com relativa abastança por estas terras é verdade, mas posso garantir que a vida naquele tempo que não vai assim tão longe, tinha mais sentido, a vida tinha mais encanto, apesar dos seus reveses. As pessoas, hoje, ou a maioria delas, já se esqueceram de certos costumes que uniam todos os seus habitantes, como se fosse uma grande família. Gostaria de enumerar aqui ainda que resumidamente um pequeno número de coisas que simplesmente desapareceram: Moinhos de água comunitários em todas as aldeias, ainda que hoje não tivessem mais utilidade, imediata, pois não há mais milho para moer e a farinha com que se fazia a broa e engordava os suínos hoje é comprada nos grandes moinhos industriais de centros maiores. Os lagares de azeite porque as oliveiras como por encanto ou maldição deixaram de frutificar, também encerraram suas portas, deixando-nos entre outras coisas, a nostalgia das noites de inverno aquecidas por sua fornalha, e da bacalhoada com batatas a murro tudo a nadar no azeite ainda morno, regados com o bom vinho da terra, para animar a alma e dar força à tarefa dos lagareiros. O azeite por aí fabricado de hoje em que pese a moderna tecnologia, não tem a qualidade nem o sabor daquele azeite que o lagar da Foz nos proporcionava. Os teares com que nossas avós e ainda as nossas mães, por falta do linho e a lã das ovelhas, igualmente tiveram seu fim. Os serões ao redor da lareira onde toda a família se reunia e até rezava e contava histórias mirabolantes, algumas das quais eu ouvi da boca de meu avô Benjamim, no tempo em que eu era muito pequeno, tudo se esvaiu na longa noite do tempo. Hoje as noites são animadas pela luz fria dum ecrã de televisão, que se trouxe muita coisa boa em entretenimento e informação, também trouxe outras tantas que nada acrescentam, como por exemplo a subtração ao diálogo entre as famílias. Esse é o custo das modernidades…. Na raiz da maioria destas mazelas está o abandono do cultivo da terra. A falta de braços de quem delas tirasse o sustento, em parte, devido à febre de então, o plantio massivo do eucalipto. As pessoas pensavam, ou a isso foram induzidas, que esta prática seria a sua salvação económica e assim abandonaram a agricultura não investindo em outros meios de subsistência. Deu no que deu, uns poucos entre eles alguns comerciantes, as celuloses ou papeleiras enriqueceram à custa de práticas que nada honram a quem de tais expedientes se valeu. Outros, os pequenos e honestos proprietários ficaram mais pobres. Até terras de cultivo deram lugar à árvore avara que suga o sangue da terra-mãe, deixando-a na mais completa exaustão. Nascentes que havia em abundância de água pura, secaram; hoje, nem água para matar a sede da fauna se a mesma houvesse, o precioso líquido se reduziu de tal maneira que até as populações já encontram dificuldade para as suas necessidades básicas. E nem preciso falar da maldição dos fogos o grande pesadelo ano após ano, que tantas vidas têm roubado e tantos prejuízos materiais têm causado. A flora e a fauna nativas, por exemplo, as raposas, coelhos bravos, perdizes, lobos embora estes tenham emigrado já antes quando foi posto termo ao rebanhos de cabras; as muitas aves que para aqui migravam para procriarem tomaram outro rumos, enfim, empobrecimento e desolação. Tudo virou um deserto cinzento, pois toda a vasta extensão coberta por esta árvore longe está de poder se designar floresta e sim deve chamar-se um mar cinzento de triste monotonia. E tudo de bonito que havia por aquelas serras e até os campos sempre verdes e bem tratados são lembranças dos poucos idosos que tiveram a desventura de ver e viver tamanha e triste realidade. Onde havia o alegre chilrear das aves nativas e, as aves vindas de outras terras, por não acharem as condições de antes, devido à drástica transformação destas paragens sumiram para grande tristeza nossa. Os jovens, em grande número, continuaram a emigrar, só uns poucos e os mais velhos ficaram. A demografia em vez de crescer, encolheu. A desertificação é uma crua realidade. Na minha adolescência e parte da minha mocidade havia aproximadamente novecentos habitantes. Hoje são trezentos e setenta. Pergunto, valeu a pena? Quem de sã consciência poder me responder que o faça. Se os moinhos de água, os lagares de azeite não fazem falta, já imaginaram que os mesmos se conservados poderiam proporcionar uma fonte de lazer e de renda a mais para a freguesia, bastando para isso um mínimo de investimento em sua restauração e aberturas de caminhos com condições mínimas de acesso aos mesmos? Nossa terra tem condições naturais para se praticar um turismo rural, sim. É claro que teria de haver um ou dois restaurantes que oferecessem pratos típicos da serra, só para dar um exemplifico, a chanfana. Paisagens bonitas e ar puro não faltam, depois temos a nossa Velha igreja que é um ícone, local obrigatório para visitar e admirar sua beleza. Não é preciso dizer que tudo isso levaria a incrementar a criação de outros postos indiretos de trabalho por exemplo, a criação de frangos, de coelhos e de suínos, que ao seu devido tempo se tornaria em negócio rentável, para lá de fixar mais jovens que hoje trabalham nas fábricas a uma distância razoável do local de suas residências. Pensem nisso senhores autarcas, pois sem o incentivo e apoio devidos, difícil seria, será, realizar tal tarefa. ´Faz-se necessário empenhamento e muito boa vontade por parte de toda a comunidade mas que ao fim e ao cabo reverteria em benefícios para todos. Há terras por esse Portugal afora que descobriram essa maravilhosa indústria sem chaminés que tanto tem contribuído para a economia e elevado o status social das gentes dessas terras. Por fim, some-se a tudo isto um roteiro organizado para visita às capelas e dos santos padroeiros de cada aldeia, espalhadas pela freguesia é claro que para isso essas capelas terão que ser restauradas, que além do mais é um dever da autarquia na preservação de seu patrimônio que é de todos os seus habitantes. Incrementar as festas aos mesmos também seria uma maneira de avivar a religiosidade tão escassa nestes tempos de cultura do ter e não do ser. Eduardo de Almeida Farias 07/07/2017
segunda-feira, 10 de abril de 2017
quinta-feira, 5 de maio de 2016
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
REFLEXÕES
DE NOVO É NATAL
Pois o Natal, que havia de ser tempo de reflexão e de homenagear o Deus que por nós se fez menino, não tem mais aquele sentimento de intemporalidade da religiosidade de nossos avós, pois foi transformado naquilo que é o avesso do verdadeiro sentido do que deve ser o Natal.
Árvores coloridas de natal nesta quadra do ano brilham feéricas nas praças, nas ruas, e nas vitrines das casas de comércio, não com a intenção primeira de homenagear o principal aniversariante, mas para atrair mais consumidores, pois nos transformamos numa sociedade de consumo insaciável, e materialista.
O tempo de Natal que devia ser um tempo de reflexão, de espiritualidade, e confraternização não só na família, mas também entre vizinhos e os não vizinhos, tornou-se o tempo do empurra, empurra, nos corredores dos grandes centros comerciais na procura de coisas, na doce ilusão de que mais badulaques cheirando a novo venham a preencher o vazio que se foi acumulando em nós ao correr dos dias durante o ano.
A propósito, tomo aqui emprestado pedaços do poema belíssimo, do poeta Fernando Pessoa cujo título é: Navegar. Extraí alguns excertos do mesmo para que os leitores possam compartilhar desta beleza não só literária, mas também de uma mensagem bem digna deste tempo de Natal. Eis uma pequena amostra: “Descobre-te todos os dias,deixa-te levar pelas tuas vontades,mas não enlouqueças por elas. Dá um sorriso àqueles que se esqueceram como se faz isso. Olha para o lado, há alguém que precisa de ti. Abastece o teu coração de fé, não a percas nunca! Agoniza de dor por um amigo,só sairás dessa agonia se conseguires tirá-lo, também. Não te acostumes com o que não te faz feliz, revolta-te quando julgares necessário. Enche teu coração de esperança, mas não deixes que ele se afogue nela.Se achares que precisas voltar atrás, volta! Se perceberes que precisas seguir, segue! Se estiveres errado, começa novamente. Se estiver tudo certo, continua. Se sentires saudades, mata-as. Se perderes um amor não te percas”.
...E a vida pode ser bem melhor, bem mais fácil basta que revisitemos a manjedoura de Belém símbolo do desapego dos bens materiais. Orgulho, vaidade são o lado sombrio que torna o homem um tolo, um deus de pés de barro.
O homem vive enquanto a criança que um dia nasceu com ele, viver. O dia em que o homem matar essa criança, morto também ele estará irremediavelmente. Talvez por sentir pulsar esse menino que tento fazer viver em mim, é que me rendo ao fascínio que sinto pelo Natal. Talvez seja a tal saudade que me transporta aos meus natais-meninos em que se festejava e homenageava o aniversariante nascido envolto em trapinhos sobre uma manjedoura, porque seus pais, José e a Virgem Maria não encontraram lugar em hospedaria, e assim tiveram que compartilhar de uma estribaria abrigo de animais.
Assim nos relata a Sagrada Escritura, e mais relata que, anjos entoando cânticos pelos céus anunciaram a humildes pastores que um Deus menino acabava de nascer: ide adorá-Lo. Depois vieram também três reis, guiados por uma estrela, e ali chegando, os ilustres viandantes genuflexos ao menino ofereceram incenso, mirra e ouro.
O Natal de Jesus, enquanto homem Deus é um mistério, embora parte desse mistério já revelado pelo próprio Senhor Jesus. Por outro lado o seu nascimento como ser humano é facto concreto. Não adianta os mais céticos quererem recorrer só à luz da ciência para obter resposta de coisas que estão para além da compreensão humana. Nem para tudo a ciência tem a devida resposta. Onde termina a ciência começa a fé. E ciência e fé não são incompatíveis, muito pelo contrário, elas podem e devem conviver lado a lado e pacifica-mente, para nosso próprio bem.
Um Alegre e Feliz Natal para os crentes e os não crentes. São os meus sinceros votos.

