quarta-feira, 18 de setembro de 2013

SERRA ARDER A freguesia de Agadão vestiu-se de luto, suas vestes que antes eram verdes, hoje são de preto carregado. A terra cheira a queimado, e o horizonte é um oceano de bruma escura. As árvores transformaram-se num caos imenso, parecendo braços erguidos, hirtos, em atitude de desesperança como que a clamar aos céus perdão, por um mal que não cometeram. Só a consciência embotada dos criminosos não se abala, sequer temem o castigo da justiça com que deviam ser punidos. O fogo nestas terras serranas é quase um destino para as suas gentes, inopinadamente podem ser submetidos a um inferno dantesco, onde se consomem todas as suas esperanças regadas com suor, lágrimas e sangue. Faltam leis que intimidem estes seres doentios, cujo lugar não pode ser um sanatório para loucos mas prisão que retire do convívio humano tais seres degenerados. Mas o pior e o mais aterrador são as suspeitas de entidades do capital sujo que estariam agindo por detrás destes mentecaptos. Talvez de nada valha minha indignação, talvez que o clamor destas linhas jamais chegue ao conhecimento de quem de direito; mas, em sã consciência eu não podia deixar passar em branco um momento tão dramático como este e, que se vem repetindo ciclicamente ao longo de cada verão. Eduardo de Almeida Farias e-mail: eduemendo@gmail.com Agadão, 18 de setembro de 2013